21/10/2011
Jornal do Commercio
Economia
21/10/2011
Entrega de navio é adiada de novo
DESENVOLVIMENTO Pela última data divulgada, João Cândido devia zarpar este mês, mas só sai do estaleiro em dezembro
O cronograma de entrega do petroleiro João Cândido primeiro navio construído pelo Estaleiro Atlântico Sul (EAS) em Suape foi postergado mais uma vez. Em vez de zarpar este mês (última data divulgada), a embarcação só vai deixar o empreendimento em dezembro. A informação é do presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que participou do último dia do Pernambuco Petroleum Business, ontem, no Enotel Resort & SPA, em Porto de Galinhas.
Em nota divulgada por sua assessoria de comunicação, o EAS explicou que o novo prazo se deve aos atrasos que o acabamento do navio sofreu ao longo do mês de setembro, provocados por um movimento grevista conduzido por um grupo minoritário de funcionários, à revelia da campanha salarial da categoria dos metalúrgicos e do Sindicato dos Metalúrgicos de Pernambuco (Sindimetal-PE). A nova previsão é que o petroleiro siga para a prova de mar no próximo mês e que seja entregue à Transpetro até dezembro.
Lançado há 7 anos, o Programa de Modernização e Expansão da Frota (Promef) da Transpetro encomendou 49 navios a estaleiros nacionais, mas até agora não recebeu uma embarcação sequer. Também está atrasada a entrega do Celso Furtado, em construção no Estaleiro Mauá, no Rio, mas que está fazendo a prova de mar e deverá ser incorporado à frota da estatal na primeira quinzena de novembro.
Na sua palestra sobre Retomada da indústria naval brasileira, Sérgio Machado justificou que países líderes no setor atualmente demoraram 20 anos para se firmar como player, numa tentativa de justificar a demora para o Promef engrenar. O presidente da estatal também tentou minimizar boatos do mercado naval de que o João Cândido teria defeitos e não navegaria. É preciso ter muito cuidado. Falam que o navio está torto, mas não é a realidade. Os problemas (do Atlântico Sul) serão superados e o João Cândido será entregue dentro das especificações e exigências. Uma certificadora como a ABS (American Bureau of Shipping - uma das líderes mundiais do setor) não atestaria um navio se não tivesse condições, reforçou.
Machado fez questão de lembrar os problemas que o EAS teve na aquisição dos guindastes, que poderiam erguer megablocos e acelerar a construção do João Cândido. Os equipamentos foram comprados de uma empresa chinesa que faliu e não entregou a encomenda. Por isso, foi preciso fazer uma nova compra na Coreia do Sul. Outro desafio foi construir o estaleiro e os navios ao mesmo tempo, defendeu.
Apesar do novo atraso no prazo do João Cândido, o EAS reafirma que estão mantidos os cronogramas de entrega da plataforma P-55 (encomendada pela Petrobras) e do petroleiro Zumbi dos Palmares . O casco da P-55 será entregue em novembro próximo e o segundo navio do EAS, entre julho e agosto de 2012, diz a nota da assessoria de comunicação.
Folha de Pernambuco
Economia
21/10/2011
Novas possibilidades - A Unimed Recife está estudando a construção de uma nova unidade em Ipojuca. A ideia é atender a demanda do Complexo Industrial Portuário de Suape. Por enquanto, a rede está apenas estudando a implantação do projeto. Mas a ideia é que seja construído um centro médico de pronto-atendimento. A implantação faz parte do planejamento estratégico do grupo em 2012. Esta semana, o grupo inaugurou o Unimed Recife III, na Ilha do Leite. O investimento inicial foi de R$ 4 milhões.
Diário de Pernambuco
Diário econômico
21/10/2011
Carga em SUAPE tinha patógenos
Departamento de Nutrição da UFPE pôs abaixo defesa de empresário que apontou laudo negativo em importação de tecidos dos EUA

Peritos do IC estão analisando as amostras de tecidos encontrados com manchas nos galpões da empresa Na Intimidade, no polo de confeções do Agreste, nos últimos dias. Imagem: BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS
O resultado da análise microbiológica é claro. Está estampado no lado direito do documento emitido pelo Laboratório de Experimentação e Análise de Alimentos do Departamento de Nutrição da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), em dezembro de 2009. Aponta presença de patógenos, ou seja, de micro-organismos que podem ser prejudiciais à saúde, na amostra de tecido de algodão analisada do primeiro contêiner importado pela empresa Na Intimidade, vindo dos EUA. Ainda assim, a carga foi liberada no Porto de Suape por ordem da Receita Federal. O produto entrou no país sem que a Receita conhecesse ou sequer questionasse o potencial ofensivo desses micro-organismos. Conclusão que só poderia ser emitida, pela UFPE, após uma análise aprofundada do tipo de bactéria encontrado.
A informação é da professora Margarida da Silva Vasconcelos que, na época, coordenava o laboratório e assinou o laudo. Ao Diario, ontem, a professora pôs abaixo a defesa apresentada pelo advogado do dono da Na Intimidade, Gilberto Lima, durante depoimento do seu cliente nas polícias Federal e Civil, na última quarta-feira. Ele apontou o laudo como a garantia de que a empresa não importava lixo hospitalar. “Só poderíamos aprofundar a pesquisa se fosse pedido pelo cliente em questão que, no caso, era a Receita Federal”, explicou. Desde então, os contêineres com tecidos importados dos Estados Unidos da mesma empresa entraram sem novas análises.
O caminho entre o flagrante da carga suspeita em 2009 - formada por retalhos de tecido de algodão, alguns deles com nomes de hospitais americanos - e a liberação dos produtos que provavelmente chegaram ao consumidor pernambucano começa no porto. Na época, a fiscalização da Receita Federal solicitou ao perito credenciado do órgão, Jorge Campelo Cabral, um laudo constatando se o produto apreendido em uma fiscalização de rotina continha patógenos que fazem mal à saúde humana. A outra tarefa do perito era descobrir se os tecidos eram novos ou usados.
Ouvido pelo Diario ontem, o perito Jorge Cabral informou que comprovou, através do exame de presença de goma, que os tecidos eram novos. No entanto, a existência de micro-organismos somente poderia ser constatada em um laboratório, nesse caso, o da UFPE. “Por isso encaminhei o tecido para a universidade. Na época, me explicaram que qualquer camisa, por exemplo, possui patógenos, que isso é comum. Realmente constatei que a carga estava limpa. Não parecia em nada com as apreensões feitas em Suape nos últimos dias, onde havia lençóis com manchas”, explicou o perito, que é engenheiro químico.
Segundo ele, cabia à Receita Federal pedir o detalhamento sobre o tipo de bactéria encontrado nos retalhos, caso tivesse ficado insatisfeita com a conclusão preparada por ele. Carlos Eduardo Oliveira, inspetor chefe da alfândega no Porto de Suape, disse que até a conclusão das investigações não vai se pronunciar sobre o assunto.
Na tentativa de defender o proprietário da empresa Na Intimidade, Altair de Moura, o advogado referiu-se à importação de 2009, que, segundo ele, havia sido liberada pela UFPE, pois a carga não estava contaminada. “Esperamos que esses laudos do IC comprovem que a mercadoria é nova e sem riscos para a saúde”, disse. Para a professora Margarida Silva, a questão não é tão simples. “Existe uma classe grande de micro-organismos. Se o cliente tivesse pedido para detalhar o tipo de patógeno, poderíamos dizer se havia riscos ou não para o ser humano”.
Sangue, tinta e argila

Representante do FBI e secretário Wilson Damázio chegam ao IC para ver perícia. Imagem: BLENDA SOUTO MAIOR/DP/D.A PRESS
Os tecidos apreendidos pela Agência Pernambucana de Vigilância Sanitária (Apevisa) em Santa Cruz do Capibaribe, Toritama e Caruaru e enviados para análise no Instituto de Criminalística nesta semana apresentam indicativos de manchas de sangue, tinta, argila e fungos (mofo). No entanto, essa é apenas a primeira impressão da equipe responsável pela análise, principal prioridade do IC nos próximos dias. Para ter certeza de que se trata realmente de sangue contaminado com micro-organismos perigosos para o ser humano, por exemplo, são necessárias outras etapas que podem demorar no mínimo vinte dias para serem concluídas.
O primeiro passo da equipe do IC é fotografar e descrever as peças. “Na segunda fase são feitos os testes químicos, que orientam se há sangue ou não.Caso o resultado dê positivo, a próxima etapa é submeter a peça ao teste de certeza”, explicou a gerente da Unidade de Laboratório de Criminalística (Unilab), Flávia Santiago. No entanto, para constatar a presença de micro-organismos no sangue é preciso encaminhar o produto para um laboratório, onde a análise é feita com um microscópio. “O material não exala odor biológico. Ou ele foi lavado ou a quantidade de micro-organismos é pequena que não é possível perceber”, disse Roberto Garrido, do IC.
Outra tarefa é a verificação de presença de compostos nos tecidos. “Há manchas avermelhadas que podem ser, na verdade, iodo”, acrescentou a gerente da Unilab. Mais um passo importante é pesquisar a presença de hipoclorito, que aponta se a roupa foi lavada. “Nesse caso, as hemácias são quebradas e isso pode fazer com que o resultado não dê positivo para sangue”, detalhou Flávia Santiago. O passo final é a confecção do laudo.
Estaleiro em 3 anos
Empresa italiana Navalmare assinou ontem protocolo de intenções de projeto

Suape já conta como Atlântico Sul e Campos assinou protocolo para o quarto estaleiro. Imagem: JULIANA LEITÃO/DP/D.A PRESS - 1/10/09
O quarto estaleiro do Porto de Suape terá sotaque italiano e deve ficar pronto nos próximos três anos. A empresa Navalmare, especializada na fabricação de estruturas offshore, como plataformas e deques, será instalada num terreno de 10 hectares. Um protocolo de intenções para a instalação do empreendimento foi assinado ontem à tarde pelo governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB), e pelo presidente da companhia, Albano Antonio Francesco.
Os italianos prometem operar no Complexo Industrial e Portuário de Suape com previsão de consumo mensal de mil toneladas de aço e mais de 800 postos de trabalho. Inicialmente o investimento seria de R$ 200 milhões, mas houve um acréscimo de R$ 50 milhões.
O consultor Pedro Agrelli, que acompanha a cúpula da empresa italiana em Pernambuco e atua como porta-voz dela, afirma que a meta de 36 meses para o início do funcionamento do estaleiro está mantida. “O primeiro passo é constituir formalmente a empresa em Pernambuco nos próximos 30 dias. Esse tempo (de três anos) também envolve licenças ambientais, todo o processo burocrático e a dragagem do entorno para funcionar a plataforma”.
O italiano Carlos Sarti, que também trabalha como consultor do empreendimento, diz que as conversas com o governo do estado vêm de longa data. A empresa informou que está de olho em Suape há quase cinco ano e ressaltou que a maneira como Pernambuco superou as últimas crises financeiras internacionais aumentou a confiança no negócio. A respeito da formação de mão de obra qualificada, notadamente um dos problemas mais debatidos na indústria naval, a empresa se mostrou confiante no suporte do governo estadual. “Já fornecemos para a Secretaria de Trabalho a lista das necessidades”, reforçou Agrelli. O presidente da Transpetro, Sérgio Machado, que esteve no Pernambuco Petroleum Business, onde ocorreu o evento, reagiu às críticas envolvendo a qualificação de mão de obra dos estaleiros nordestinos. “É preconceito. É achar que nordestino só pode ser cortador de cana”, disse.
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